Implantes na 3ª idade

Publicado em 4 de agosto de 2009, terça-feira.

O aumento da longevidade do ser humano é uma realidade observada atualmente nas populações mundiais, onde os cidadãos idosos estão vivendo mais e em condições mais saudáveis do que em qualquer tempo do passado da humanidade.

Os idosos constituem um grupo especial com estilo de vida, condições sociais e de saúde e necessidades bastante diferentes do restante da população. Muitos deles apresentam-se com doenças crônico-degenerativas advindas do sistema cardiovascular (por exemplo, hipertensão arterial e acidente vascular cerebral), além de diabetes Mellitus, osteoporose, neoplasias, artrite, doença de Alzheimer, doença de Parkinson, problemas psiquiátricos, entre outros, que freqüentemente afetam a qualidade de vida desses indivíduos e alteram a normalidade de um tratamento, seja ele da saúde geral ou de saúde bucal.

Do ponto de vista odontológico, cáries, doença periodontal, câncer bucal, problemas oclusais, diminuição ou falta de saliva, ausência parcial ou total de dentes são observados nos idosos e relacionam-se diretamente com as condições de saúde geral e com o grande número de medicamentos usados por estes pacientes. Daí a importância da prevenção e manutenção de uma saúde bucal e geral adequadas nesta faixa etária, uma vez que não é possível separar a cavidade bucal do organismo como um todo.

Dentre as alterações ocorridas na cavidade oral do idoso, a perda de elementos dentários é a que implica em maiores conseqüências para os demais órgãos do corpo humano. Qualquer alteração na boca pode comprometer o funcionamento adequado de um órgão consecutivo à ela que, pela interdependência dos sistemas orgânicos, ajuda a influenciar outros em maior ou menor intensidade, a curto, médio ou longo prazo.

A ausência parcial ou total de dentes leva a uma redução na capacidade mastigatória, pois o paciente evita alimentos consistentes e fibrosos, deixando de ingerir nutrientes essenciais para a boa qualidade da sua dieta e que contribuem para exacerbar os problemas sistêmicos que, por sua idade, já possa estar apresentando.

Para voltar a permitir uma função mastigatória adequada às suas necessidades alimentares mínimas na 3a idade, diversas opções protéticas são viáveis aos idosos como próteses convencionais fixas, removíveis, totais e sobredentaduras. Porém, sua menor eficiência mastigatória, quando comparadas à dentição natural se tornam evidentes especialmente para suprir as necessidades funcionais nesta faixa etária.

Nos últimos anos, os implantes dentários assumiram grande importância entre a população geriátrica, onde além de melhorarem a estética e a função, as próteses implanto-suportadas podem prevenir a perda de auto-estima e combater o isolamento social, causados pela ausência de dentes ou destes estarem em péssima composição para um correto preparo do bolo alimentar, bem como no aspecto visual e assim não permitindo ao indivíduo desfrutar de um envelhecimento com boa qualidade de vida física, social e psicológica. Os implantes dentários funcionam como "pinos" intra-ósseos que são capazes de melhor reter as próteses totais ("dentaduras") em posição, evitando o seu deslocamento, podendo ser usados também como suporte para próteses fixas. O material desses implantes é o titânio puro, que é biocompatível com os tecidos bucais, ou seja, não causam danos a cavidade bucal.

O fato de ser idoso não seria uma contra-indicação para o uso de implantes. Vários estudos mostram que os problemas cirúrgicos ou protéticos e complicações encontradas em pacientes geriátricos são similares àquelas reportadas em alguns pacientes jovens ou mesmo adultos. O tratamento com implantes deveria levar em conta normas médicas de saúde geral, onde todo o esforço deve ser focado na seleção meticulosa do paciente, visando considerar possíveis condições geriátricas responsáveis por previsíveis falhas no uso de implantes.

Para serem indicados ao tratamento com implantes, os pacientes devem ser cooperativos, estarem efetuando uma boa higiene bucal, motivados, não serem fumantes, estarem livres de hábitos parafuncionais (como roer unha, ranger os dentes, apoiar cachimbo na boca, como exemplos), ter boa quantidade e qualidade óssea, estarem cientes de todos os procedimentos que eles experimentarão tanto no nível cirúrgico, quanto no protético, além de gozar de boa saúde geral, confirmada por exames laboratoriais e com o aval de seus médicos para que realize os procedimentos a serem propostos.

Com o advento dos implantes, desde que o paciente idoso atenda aos requisitos necessários da parte cirúrgica - como os relatados acima - a prótese implanto-suportada, seja ela fixa ou removível, surge como uma nova e excelente alternativa para a reabilitação protética na terceira idade.

Outro ponto importante é visitar regularmente o dentista que os instalou, para que qualquer problema surgido possa ser resolvido ainda em sua fase inicial.

Procure seu dentista, que domine esta fascinante área, e com ele converse sobre todos os pontos aqui descritos, pois os implantes devem durar muitos anos, mas precisam ser muito bem planejados e discutidos com os médicos, baseado nas características de saúde daquele paciente idoso e aí é só sorrir e usufruir a 3a idade!

Por Sheyla Caldas Costa de Medeiros
Especializanda em Odontogeriatria pela Abeno/SP
1º Workshop Mude pela Atitude
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